A canção nostálgica e bela

Ouvi Dire Straits ontem - adoro a banda e vez por outra escuto. Acontece que antes não gostava tanto de Brothers in arms, pela melancolia que me trazia. Depois de ver o clip adquiriu outro sentido: uma crítica pesada e tocante à guerra, ao combate entre soldados no que fim só são mesmo os peões do xadrez dos senhores da guerra, carne de canhão, como se diz.
Não gosto de clips, não vi muitos nesses 22 anos de vida. Mas esse é diferente. Mexeu pra caralho comigo. É aquela velha sensação de horizonte se ampliando. É bom e triste. E preocupa.
O arrannjo da música é riquíssimo, a interpretação tocante, a letra profunda e o clip acompanha isso.
Pela temática, lembrei também de Além da linha vermelha (1998, de Terrence Mallick), um dos melhores filmes que assisti no último ano.

Rasgo o meu coração

Depois escrevo alguma coisa sobre a peça, boníssima, genial, tocante.

Rasga o Coração(Anacleto de Medeiros / Catulo da Paixão Cearense)

Se tu queres ver a imensidão do céu e mar
Refletindo a prismatização da luz solar
Rasga o coraçãoVem te debruçar
Sobre a vastidão do meu penar

Rasga o que hás de ver
Lá dentro a dor a soluçar
Sob o peso de uma cruz de lágrima a chorar
Anjos a cantar
Preces divinais
Deus a ritmar seus pobres ais

Sorve todo olor
Que anda a recender
Pelas espinhosas florações do meu sofrer
Vê se podes ler nas suas pulsações
As brancas ilusões e o que ele diz no seu gemer

E que não pode a ti dizer nas palpitações
Ouviu brandamente, docemente a palpitar
Casto e purpural .... vesperal
Mais puro que uma cândida vestal

Se tu queres ver a imensidão do céu e mar
Refletindo a prismatização da luz solar
Rasga o coração.

No youtube.

Depois da tempestade, a bonança (????)

Dias atrás estava desesperada. Conflitos de fim de ano e fim de graduação. Felizmente sempre amei ler – pela explosão que isso provoca na cabeça, pela abertura de visão de mundo – e resolvi conhecer outras histórias, reconhecendo a pequeneza da minha.
Há alguns anos já tinha ouvido falar de Gen, pés descalços, a história em quadrinhos de Keiji Nakasawa, leitura obrigatória para quem quer conhecer HQ ou a história das bombas atômicas despejadas sobre o Japão – no caso de Gen, mais especificamente Hiroshima. Bom deixar claro, desde o início, que a história é contada pela ótica de uma criança, mas não é infantil. É profundíssima, inteligente, bem-humorada e ácida.
Bem, não pretendo fazer nenhuma resenha jornalística – isso demanda pesquisa, comparações com outras obras e não estou com muita paciência. Quero, como sempre, falar de mim. Falar de mim em tudo, até quando falo dos outros, quando falo dos livros, filmes e peças que vi.
É que Gen agora é parte de mim. E não há como não ser. É assim com os bons livros, aí é que está a graça, a beleza, a humanidade da leitura. Com o personagem – que sei ser o próprio Keiji Nakasawa, o que, pra mim, aumenta a força da historia – ri loucamente, explodi em lágrimas ou deixei-as rolar mansamente, como quem pensa que a vida é mesmo muito curta e cheia de armadilhas, mas também de boas e belas surpresas.
NUNCA vou esquecer as imagens de keiji. O jeito engraçado que as personagens comemoram, as músicas que as crianças cantavam, nas suas situações mais adversas. O choro, o de-ses-pe-ro. O horror! As pessoas queimadas, com a pele “escorrendo” de seu corpo repleto de larvas. A imagem sempre evocada do pai de Gen, o artesão convictamente antimilirista, de uma retidão de caráter que eu, sinceramente, queria pra mim. Pr´além disso, impressionou demais a relação dos japoneses com a morte – tudo bem, não quero generalizar e tenho de entender o momento por que passavam, em que não havia condições nem para chorar os mortos -: “O que pela alvorada é pele fresca e aveludado, à noite não passa de um saco de ossos”, diz mais ou menos assim o trecho do hino budista. Dos ianques monstros – “a cara vermelha e o nariz pontudo”, no imaginário das crianças que recebiam os chicletes jogados como esmola pelos norte-americanos.
Li em um dia os quatro volumes e no outro dia acordei lembrando de tudo, as imagens dançando na minha mente. Abri os olhos e pensei que o mundo é tanta coisa e eu sou tão pequena; que as pessoas conseguem ser tão boas e tão ruins... podem parecer clichês, mas quando sentidos e entendidos, doem pra caralho em toda sua simplicidade e verdade.
Sem muito tempo pra escrever, meu coração apenas bate mais rápido ao lembrar de tudo isso – sim, lembrar, como se eu tivesse vivido aquilo, pois a literatura tem o poder, penso, de transformar a memória de um em memória e experiência de todos, coletiva. É duro perceber que eu não escrevo tão bem quanto gostaria para compartilhar com todos e todas o que eu vivenciei exatamente com essa leitura, mas fica um quase apelo para que quem quiser pensar o mundo criticamente, pensar a violência e suas causas, a pobreza, a alegria, a superação, leia Gen, pés descalços.
Senti-me pequena e cheia de vida, cheia de responsabilidades para com o mundo e aqueles a quem amo. Contraditoriamente ou não, após a leitura de Gen.

Haicais para mim

Em uma faceta da minha vida.

Fora de mim
imagino na paisagem
a imagem do que fui
Alice Ruiz
***
Vida repensada
noite de insônia
–manhã cansada
Zezé Pina

Pacientes com leucemia denunciam situação difícil no Ceará

Com a campanha do menino Mateus Aquino, em 2007, houve um despertar dos cearenses para a questão do transplante de medula óssea e o aumento do número de cadastro de doadores à época. O Hemoce, que funcionava somente das 10 às 14 horas, de segunda a quinta, ganhou um horário extendido, o que possibilitou que mais pessoas se cadastrassem. Em 2008, o Ceará foi premiado pelo Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea) devido ao número de cadastrados: 25 mil. Em 2009, a meta era, até julho, chegar aos 50 mil cadastros, meta superada, pois hoje o Hemoce conta com 53 mil cadastros. Dentre estes, já houve quatro casos de compatibilidade. Além disso, o transplante de medula óssea já está sendo feito no Ceará, desde o início deste ano.
Entretanto, ainda há muito a melhorar. E foi a partir da necessidade de se organizar para mudar a situação que os pacientes com leucemia, familiares e profissionais da área se uniram em torno do Grupo de Apoio ao Paciente Onco-Hematológico, o GAPO, criado em junho de 2007. O objetivo do grupo, que conta com 378 associados, é esclarecer dúvidas sobre a onco-hematologia, compartilhar informações, dar apoio psicológico aos pacientes e solucionar problemas de medicação. O GAPO se mantém, financeiramente, com doações de pacientes, simpatizantes e empresas. A atual presidente do grupo, Velúzia Medeiros, mantêm-se atuante desde o início. Ela fez o transplante de medula óssea em março de 2003 e é portadora de leucemia mielóide crônica.
Tiago Ribeiro também foi um dos fundadores do grupo. Aos 18 anos, teve um câncer entre o coração e o pulmão. Durante o tratamento, conheceu a namorada, Ana Paula, que tinha leucemia. “Eu fui cuidador e paciente ao mesmo tempo”, diz. Casaram-se e Ana Paula precisou passar pela terceira sessão de quimioterapia. A moça estava com o sistema imunológico muito frágil e faleceu com um AVC. Da história de amor nasceu a disposição de Tiago para pesquisar sobre o tema e tentar ajudar outras pessoas. Ele esteve presente na criação do GAPO e hoje, embora afastado, continua a dar sua contribuição, tentando divulgar o trabalho do Hemoce e contatar locais para a coleta itinerante.

Atendimento
Essa é a maior reclamação dos pacientes do Ceará. O atendimento é feito no Hospital Universitário Walter Cantídio, no CRIO, no Hemoce e também no Hospital César Calls. Além disso, há cinco hemocentros no interior do Ceará – Iguatu, Sobral, Crato, Quixadá e Juazeiro do Norte – o que, mesmo assim, não diminui a demanda para a Capital.
Segundo Velúzia Medeiros, “o tratamento é precário, de modo geral. São medicamentos de alto custo que nem sempre estão disponíveis em tempo hábil aos pacientes. Existe a lei, mas nem sempre o paciente consegue o remédio.” Para Tiago Ribeiro, o problema são os altos valores das patentes cobradas pelos laboratórios. Ele cita o caso dos medicamentos monoclonais, que atacam somente as células cancerígenas, o que representa um ganho valoroso para a saúde do paciente. Entretanto, no Brasil, na rede pública, não há esses remédios de “primeira linha”, apenas se a pessoa entrar com uma ação judicial, individualmente, e exigir isso do Estado, o que não quer dizer que ela vá ganhar.
Para se ter idéia do valor dos remédios, uma caixa, para 30 dias, pode chegar a custar 10 mil reais. Isso no Brasil, ou seja, um remédio de “segunda linha”. Tiago denuncia também que, dependendo do tipo de câncer, muitas vezes o paciente tem de trocar a medicação e, se o remédio for mais caro, o Estado não quer pagar. Em outubro, o secretário adjunto da Saúde do Estado do Ceará, Marcelo Sobreira, viajou a Brasília para tratar, junto ao Ministério da Saúde, da compra de um medicamento para o tratamento de 120 pacientes com leucemia. Esse remédio custa R$ 5.054,00 uma caixa/mensal. Desse valor, mil reais deveriam ser custeados pelo Estado, mas não há dinheiro, segundo Sobreira, e os hospitais não estão mais querendo receber os pacientes onco-hematológicos.
Segundo denuncia o GAPO, há um déficit de profissionais também. O correto seria uma equipe multidisciplinar, incluindo profissionais das áreas de Psicologia, Enfermagem, Nutrição, Terapia Ocupacional, Odontologia, Fisioterapia e Serviço Social.

Serviço:
Hemoce - Avenida José Bastos, 3390, bairro Rodolfo Teófilo. Fone: 3101.2296. Funcionamento: de segunda a sexta, das 7h30 às 18h30. Aos sábados, de 8 às 16 horas. Há um posto no Instituto José Frota (IJF), que funciona todos os dias, das 7 às 19 horas.
Para se cadastrar como doador de medula óssea - RG, CPF, ter entre 18 e 59 anos, gozar de boa saúde. Não há limitação de peso. O sangue é coletado e vai para o Rio de Janeiro, para o Redome (Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea), onde é cruzado com o cadastro de pacientes que estão precisando do transplante, o Rereme (Registro Brasileiro de Receptores de Medula Óssea), para averiguar a compatibilidade. A chance de encontrar alguém compatível é de uma em cem mil cadastrados, no Brasil.Grupo de Apoio ao Paciente Onco-Hematológico (GAPO) - Rua Capitão Pedro, 1359, no Bairro Rodolfo Teófilo, em frente ao Hospital Universitário Walter Cantídio. Fone: 3223.2624. E-mail: gapoapoioavida@yahoo.com.br.

Ao que vimos - Rumo á Revolução Social

Pesquisa de monografia. Meu “objeto” é o jornal operário de orientação anarquista A Plebe, mais precisamente a abordagem de gênero do periódico. Tenho paixão pela pesquisa que estou desenvolvendo – ainda beeeeem no comecinho – e meu coração impressiona-se ao perceber – confirmar, na verdade – o quão atual é A Plebe.
Pretendo transcrever alguns textos ou trechos e compartilhar aqui.Por ora, apresento o editorial número 1, de um sábado, 9 de junho de 1917. Ah! Mantive completamente a ortografia, claro.

Ao que vimos
Rumo á Revolução Social

A Plebe, como facilmente se verifica, é uma continuaçao da A Lanterna, ou melhor dizendo, é a propria A Lanterna que, attendendo ás excepcionaes exigencias do momento gravissimo, com nova feição hoje resurge para desenvolver a sua luta emancipadora em uma esphera de acção mais vasta, de mais amplos horizontes, com um integral programma de desassombrado combate a todos os elementos de oppresão que sujeitam o povo deste paiz, como o de toda a terra, á odiosa sociedade vigente, alicerçada por toda a sorte de misérias e de violências.
Surgindo, ja dezesete annos, com feiçao anti-clerical especializada, por iniciativa de quem militava no movimento libertário, vinha, a popular folha, inegavelmente, corresponder á grande necessidade de se dar decidido combate ao ultramontanismo dominador, cuja chocante ousadia provocara entao, aqui e em outras partes, uma notavel agitaçao de protesto.
Reapparecendo em nova phase, em 1909, tambem pelo esforço de elementos anarchistas, ainda dessa vez attendia tal tentativa, acolhida com enthusiasmo desusado, a evidentes exigencias de ser, com vivacidade, activada a campanha, já amortecida, contra o nefando clericalismo, pois que vinha ao encontro do formidavel movimento de indignação mundial provocado pelo infame crime de que Ferrer, o libertário abnegado, fôra a victima gloriosa, tombando altivmente nos fossos do castello de Montjuich, sacrificado pelos manejos do tenebroso conluio reaccionario então dominante na Hespanha e no qual o bando negro do Vaticano fôra elemento dominante.
E assim, sempre sustentada pelos mesmos lutadores do meio libertario, valiosamente coadjuvantes por um bom nucleo de homens de consciencias bafejadas por princípios innovadores espalhados por todo o Brazil, foi A Lanterna atravessando os annos, vivendo a vida penosa e de sobressaltos das folhas avançadas, zurzindo impiedosamente a canalha da Igreja, desmascarando os tartufos sociaes, combatendo, em campanhas memoraveis que lhe valeram perseguições sem conta, todas as explorações e tyrannias e collocando-se sempre, com a sinceridade e o enthusiasmo de quem esposa uma causa que é sua, ao lado das victimas das potentados.
Foram-se, porém, passando as semanas, os mezes continuam somando-se, ao mesmo tempo que acontecimentos de excepcional importancia chamam á actividade todos os militantes da vanguarda social de todo o mundo, reclamando delles o maximo de sua dedicação em prol da causa da completa libertação da humanidade.

A conflagração horrorosa a que a burguezia vae arrastando, uma a uma, todas as nações, convulsionando o mundo, precipitou espantosamente os acontecimentos de maneira a accelerar a solução dos grandes problemas sociaes que, positivando-se ha meio seculo, traziam agitados todos os povos civilizados da terra.
Urge a acção em todas as suas manifestações, consciente, decidida, vigorosa.
Como é bom de ver, nessa obra titanica cabe logar de destaque á imprensa avançada, a quem está confiada a missão delicada de orientar o povo, hoje á mercê da perseverante acção damnosamente mystificadora dos jornaes ao soldo dos dominadores da época.
Por isso, apesar das tremendas difficuldades dominantes, apparece A Plebe em substituição á A Lanterna que, tendo surgido com um titulo tradicionalmente anticlerical, para dar combate ao clericalismo, apresentou-se sempre com uma feição mais ampla, atacando o padre e a Igreja na sua razão de ser, como elementos perniciosos, alliados perennes dos dominantes, ao mesmo tempo que tocava, por ser dirigida por libertários, em todas as faces da questão social.
A Plebe vem, porisso, para corresponder, de maneira mais completa, á magnitude deste extraordinario momento historico por que está atravessando a humanidade.
Estão em jogo os destinos da sociedade actual. Multiplos sao os elementos que, em tragica associação, arrastaram os povos á horrivel situação presente, exigindo que contra todos elles se empenhe uma luta sem treguas e de extermínio.
Associados no mal, baldado será o esforço para separal-os, pois que a sua condicçao de existencia está indissoluvelmente ligada á propria união, que lhes assegura a situação revoltante de dominadores moraes e materiaes de toda a sociedade humana, que vive tyrannizada e espoliada afim de lhes garantir vida farta, ociosa e parasitaria.
Para se conseguir vencer o monstro social que infelicita o povo productor não bastará decepar-lhe uma de suas monstruosas cabeças que, como as da hydra de Lerna, renascem com redobrado vigor para a sua malefica acção.
O clericalismo, que é uma das cabeças desse monstro, só desaparecerá quando, num movimento audaz e vigoroso, se lhe desferir o golpe certeiro e mortal.
A humana espécie sómente poderá considerar-se verdadeiramente livre e começar a gosar da felicidade da qual é merecedora quando sob os escombros fumegantes desse burgo podre que é o regimen burguez desapparecerem para todo o sempre, com a maldição de todas as gerações sofredoras, o Estado, a Igreja e o militarismo, instituições malditas que lhes servem de esteios.
Para esta meta grandiosa, ardentemente almejada, caminhamos a passos agigantados, como nos indicam os formidaveis acontecimentos que se estão desenrolando, numa sequencia deslumbradora, desde as luzitanas plagas até ás steppes geladas da longinqua Russia.
Rumo á Revolução Social vai, alfim, a humanidade, em busca da liberdade e do bem-estar mentirosamente prometidos, através dos seculos, por toda as religiões e pelas multiformes organizações políticas que a têm mantido em perennal servidão.
E como o Brazil, tendo a sua vida estreitamente ligada á dos demais paizes e estando sujeito ao mesmo condemnado regimen da propriedade privada e da autoridade, que permite a ignomínia da exploração do homem pelo homem, será, em mais ou menos tempo, inevitavelmente arrastado no vortice dos acontecimentos que hão de transformar a face do mundo civilizado, - necessario é que [uma palavra está rasgada. Talvez seja "nós"] bem aqui, neste rincão p [está rasgado também. Deve ser "perdido"] da América, nos aprestemos para não sermos apanhados de surpresa quando soar a hora em que aos quatro ventos da terra dos abolicionistas audazes tiver de ser desfraldada a rubra bandeira da nossa verdadeira libertação.
É como reflexo vivo dessa convulsão apocalyptica que surge A Plebe, filha dos ardentes anceios de uma pleiade de moços combatentes da phalange libertaria.
Vem este jornal ser um éco permanente das lamentações, dos protestos e do conclamar ameaçador dessa plebe immensa que desde os seringaes da Amazonia aos pampas sulinos, em terra, no mar, nas escuras galerias do sub-solo, nos ergastulos industriaes ou nos invios sertões vive sempiternamente a mourejar, em condições de escravos modernos, para manter na opulencia os ladrões legaes que aqui, em má hora, viram a luz do dia, ou, como aves de rapina, aportaram de outras paragens.
Os sonhos que animaram as mentes privilegiadas dos martyres da independencia, dos heroes da abolição e da cruzada republicana desoladoramente nessa coisa abjecta que a todos infelicita.
Liberdade, egualdade e fraternidade só existem como uma grosseira expressão rethorica rotulando muita miseria e oppressão.
Urge, portanto, proseguir na obra dos abnegados de outrora para que, quando além das fronteiras convencionaes ruir fragosamente o arcabouço apodrecido do regimen social dominante também o povo desta terra, no arrebol de um novo e sublime 13 de Maio, conquista a sua alforria derradeira, fazendo com que o Brazil, passando a pertencer todos os seus habitantes, a todos proporcione uma vida folgada e feliz que a exuberancia trabalhada de sua riquezas naturaes permitte.

É com esse objectivo que vem lutar A Plebe.
Edgard Leuenroth

Quem sou eu?


"A violeta é introvertida e sua introspecção é profunda.Dizem que se esconde por modéstia.Não é.Esconde-se para poder captar o próprio segredo.Seu quase-não-perfume é glória abafada mas exige da gente que o busque.Não grita nunca seu perfume.Violeta diz levezas que não se podem dizer."
***
"Quanto à suculenta flor de cáctus, é grande e cheirosa e de cor brilhante.É a vingança sumarenta que faz a planta desértica.É o explendor nascendo da esterelidade despótica."
Trecho de Água Viva, de Clarice Lispector