Nunca tinha lido nada dele... Mas hoje, agora, que falou tão forte às minhas revoltas, logo cedo de manhã, que não posso deixar de divulgá-lo. Boa revolta! A explosão (ou implosão) é o começo de tudo!!!
A implosão da mentira
Affonso Romano de Sant'Anna
Fragmento 1
Mentiram-me.Mentiram-me ontem
e hoje mentem novamente. Mentem
de corpo e alma, completamente.
E mentem de maneira tão pungente
que acho que mentem sinceramente.
Mentem, sobretudo, impune/mente.
Não mentem tristes. Alegremente
mentem. Mentem tão nacional/mente
que acham que mentindo história afora
vão enganar a morte eterna/mente.
Mentem.Mentem e calam. Mas suas frases
falam. E desfilam de tal modo nuas
que mesmo um cego pode ver
a verdade em trapos pelas ruas.
Sei que a verdade é difícil
e para alguns é cara e escura.
Mas não se chega à verdade
pela mentira, nem à democracia
pela ditadura.
Fragmento 2
Evidente/mente a crer
nos que me mentem
uma flor nasceu em Hiroshima
e em Auschwitz havia um circo
permanente.
Mentem. Mentem caricatural-
mente.
Mentem como a careca
mente ao pente,
mentem como a dentadura
mente ao dente,
mentem como a carroça
à besta em frente,
mentem como a doença
ao doente,
mentem clara/mente
como o espelho transparente.
Mentem deslavadamente,
como nenhuma lavadeira mente
ao ver a nódoa sobre o linho. Mentem
com a cara limpa e nas mãos
o sangue quente. Mentem
ardente/mente como um doente
em seus instantes de febre.Mentem
fabulosa/mente como o caçador que quer passar
gato por lebre.E nessa trilha de mentiras
a caça é que caça o caçador
com a armadilha.
E assim cada qual
mente industrial?mente,
mente partidária?mente,
mente incivil?mente,
mente tropical?mente,
mente incontinente?mente,
mente hereditária?mente,
mente, mente, mente.
E de tanto mentir tão brava/mente
constroem um país
de mentira
—diária/mente.
8 de março
É com pesar que venho escrever sobre o que a mídia burguesa disse a respeito deste dia símbolo da luta das mulheres por um mundo livre da opressão de gênero.
Aqui em Fortaleza temos o jornal O Povo, que circula há mais de 80 anos e tem, hoje, uma tiragem que fica entre os 30 e 35 mil exemplares. Pouco, né? Ainda bem...
Pois bem. O grupo O Povo lançou um caderno especial Dia da Mulher, produzido pelo comercial O Povo e patrocinado por empresas que exploram o triste ideal de “beleza feminina”.
O tom era de comemoração. Em nenhum momento tocou-se na história de luta e resistência das mulheres para chegar ate aqui. Falou-se muito em conquistas, em mundo quase livre do machismo, da opressão de gênero etc. O mito da super-mulher (trabalha, cuida da casa, dos filhos, do marido) foi hiper-valorizado e apresentado como algo inerente ao ser feminino. Que bobagem! Está claro que tudo é uma construção histórica e social e ainda há quem venha falar em essência feminina, em feminilidade – embora feminilidade comporte essa idéia de construção cultural, mas muitas vezes é um conceito usado erroneamente, como algo quase natural, essencial mesmo. E ao invés de estarmos aqui louvando a exaustão das mulheres – a mulher “engolidora de sapos” - deveríamos estar era questionando o porquê de elas terem de se desdobrar em três para dar conta de tantas responsabilidades que são “naturalmente” imputadas a elas. Por que os homens não podem cuidar da casa e dos filhos também? E até mais do que isso: a maternidade é o destino de todas as mulheres? É a sua vocação natural? Não sei não...
Outra questão muito explorada pelo jornal O Povo foi a da participação das mulheres na política. Gostaria que a repórter que fez a matéria de capa do caderno de política tivesse conversado com algumas feministas que já desenvolveram pesquisas mostrando como a participação das mulheres do Parlamento tem sido bem parecida com a atuação dos homens. Acho que é hora de pararmos de englobar meio mundo na categoria “mulheres”, quando há outras variáveis influindo seriamente na constituição de identidade das pessoas: classe, raça, etnia, etc. Não que a categoria de gênero não influencie também (embora eu gostaria que não influenciasse e acho que devemos lutar é neste sentido, para sermos gente, antes de qualquer definição de gênero que só causa opressão e heterossexualidade), mas é que há uma superposição dessas variáveis. Não é a “mulher” (conceito ahistórico e essencialista), mas são as mulheres. Faço coro com a feminista e anarquista Emma Goldman, que sustentou fortemente que as mulheres não têm o poder de purificar a política, porque a política não é passível de purificação, não precisa de uma mudança moral simplesmente. “Imputar a ela (mulher) uma mudança que está além de suas possibilidades é divinizá-la”. Grande Emma!
Aqui em Fortaleza temos o jornal O Povo, que circula há mais de 80 anos e tem, hoje, uma tiragem que fica entre os 30 e 35 mil exemplares. Pouco, né? Ainda bem...
Pois bem. O grupo O Povo lançou um caderno especial Dia da Mulher, produzido pelo comercial O Povo e patrocinado por empresas que exploram o triste ideal de “beleza feminina”.
O tom era de comemoração. Em nenhum momento tocou-se na história de luta e resistência das mulheres para chegar ate aqui. Falou-se muito em conquistas, em mundo quase livre do machismo, da opressão de gênero etc. O mito da super-mulher (trabalha, cuida da casa, dos filhos, do marido) foi hiper-valorizado e apresentado como algo inerente ao ser feminino. Que bobagem! Está claro que tudo é uma construção histórica e social e ainda há quem venha falar em essência feminina, em feminilidade – embora feminilidade comporte essa idéia de construção cultural, mas muitas vezes é um conceito usado erroneamente, como algo quase natural, essencial mesmo. E ao invés de estarmos aqui louvando a exaustão das mulheres – a mulher “engolidora de sapos” - deveríamos estar era questionando o porquê de elas terem de se desdobrar em três para dar conta de tantas responsabilidades que são “naturalmente” imputadas a elas. Por que os homens não podem cuidar da casa e dos filhos também? E até mais do que isso: a maternidade é o destino de todas as mulheres? É a sua vocação natural? Não sei não...
Outra questão muito explorada pelo jornal O Povo foi a da participação das mulheres na política. Gostaria que a repórter que fez a matéria de capa do caderno de política tivesse conversado com algumas feministas que já desenvolveram pesquisas mostrando como a participação das mulheres do Parlamento tem sido bem parecida com a atuação dos homens. Acho que é hora de pararmos de englobar meio mundo na categoria “mulheres”, quando há outras variáveis influindo seriamente na constituição de identidade das pessoas: classe, raça, etnia, etc. Não que a categoria de gênero não influencie também (embora eu gostaria que não influenciasse e acho que devemos lutar é neste sentido, para sermos gente, antes de qualquer definição de gênero que só causa opressão e heterossexualidade), mas é que há uma superposição dessas variáveis. Não é a “mulher” (conceito ahistórico e essencialista), mas são as mulheres. Faço coro com a feminista e anarquista Emma Goldman, que sustentou fortemente que as mulheres não têm o poder de purificar a política, porque a política não é passível de purificação, não precisa de uma mudança moral simplesmente. “Imputar a ela (mulher) uma mudança que está além de suas possibilidades é divinizá-la”. Grande Emma!
Já no site da Folha de São Paulo havia outras coisas, porém a mesma coisa rsrs: uma peça publicitária voltada pra “mulher segura”, tipo neoliberal que defende com unhas e dentes sua carreira e seu empreguinho, “que adora ter seu dia mas se destaca em todos”, uma notícia dizendo que Michelle Bachelet espera que os partidos apóiem a candidatura de mulheres ao Parlamento chileno e uma notícia melhorzinha dizendo que Chavez daria mais atenção à questão de gênero na Venezuela e que todos os homens socialistas deveriam também se considerar feministas. Não confio no Chavez. Alias, não confio no tipo de revolução que ele diz querer fazer, que fique claro – poderia ser qualquer outra pessoa no papel dele, eu não confiaria -, mas considero a declaração, muito lógica, por sinal, de que um homem que diz socialista, deve se dizer também feminista – no sentido de querer um mundo livre do sistema de gênero e em que os seres humanos possam se desenvolver longe dessas amarras / carapuças de homem ou mulher.
Frankfurt, chuva (?) e 5ª série
Estudando Teoria Crítica, um trecho de A dialética do Iluminismo, de Adorno e Horkheimer. Em pleno Carnaval, sim...
Bateu um ventinho bom no meu rosto e lembrei da época em que, se o tempo estivesse bonito pra chover, eu não fazia outra coisa a não ser pensar no prazer que ia sentir quando a chuva desabasse e eu me pusesse sob as grossas gotas d’água. Por que não é mais assim? Por que passo tantos dias sem nem olhar as estrelas (quiçá contá-las e ter medo das verrugas vindouras rsrs), quanto mais pensar em chuva se não for pra achar ruim porque isso me atrasa, me molha, me dessarruma, bla, bla, bla...?
Quarta-feira encontrei um amigo antigoooooooooo – Aílson, 5ª A. Pusemo-nos a lembrar o passado. Ai que vontade de chorar! Que sufoco! E que vergonha também. É que eu lembrava de cada coisa, e ele só dizia “Ah, acho que sei quem era a Fulana” ou “Vixe! Não lembro da Édsa Mary... Tu desenterra cada uma!”. De repente percebi que já estava atrasada pro aniversário de outro amigo e não conseguia encerrar aquela conversa. É que por mais que doa lembrar essas coisas e pensar que “tem dias que a gente olha pra si e se pergunta se é mesmo aí que a gente achou que ia ser quando a gente crescer”, também é muito prazeroso. Cheguei a ir embora e voltar pra perguntar se ele lembrava de uma outra Fulana...
Aquela 5ª série. Um dos melhores anos da minha vida, com toda certeza. Tantas angústias. Me achava meio feia, tinha medo de ficar muito baixinha – como de fato fiquei. Havia coisas que me incomodam e pensava que o problema de fato era comigo, não com os estereótipos impostos a uma adolescente. Quantas vezes, já agora, uma “adulta” (será mesmo? Será isso, então, a fase adulta? Sutil e “um tapa na cara” ao mesmo tempo... estranho) pensei que daria muita coisa pra acordar e estar de novo na pele da garota de 11 anos. Nerd, "graduada", nenhum "CAD". Cheia de planos. Depois lembrei que havia dias – muitos! – em que não queria me levantar pra ir à escola, não queria fazer nada. Como a gente idealiza o passado!
Texto dedicado a duas grandes amigas que o tempo afastou – fisicamente -, mas permanecem sempre comigo, parte dessas lembranças, mas ainda algo pr’além dessas memórias. Andressa, lembro da carta que escrevi no teu aniversario de 14 anos – eu dizia que queria envelhecer e freqüentar a tua casa, chegar por lá na hora do café e conversar longamente. Paula, tu também tem um canto en mon coeur, cherrie!
Quando a amizade é grande, continua a crescer mesmo à distância. É mais ou menos assim, Shakespeare? É o que sinto.
Bateu um ventinho bom no meu rosto e lembrei da época em que, se o tempo estivesse bonito pra chover, eu não fazia outra coisa a não ser pensar no prazer que ia sentir quando a chuva desabasse e eu me pusesse sob as grossas gotas d’água. Por que não é mais assim? Por que passo tantos dias sem nem olhar as estrelas (quiçá contá-las e ter medo das verrugas vindouras rsrs), quanto mais pensar em chuva se não for pra achar ruim porque isso me atrasa, me molha, me dessarruma, bla, bla, bla...?
Quarta-feira encontrei um amigo antigoooooooooo – Aílson, 5ª A. Pusemo-nos a lembrar o passado. Ai que vontade de chorar! Que sufoco! E que vergonha também. É que eu lembrava de cada coisa, e ele só dizia “Ah, acho que sei quem era a Fulana” ou “Vixe! Não lembro da Édsa Mary... Tu desenterra cada uma!”. De repente percebi que já estava atrasada pro aniversário de outro amigo e não conseguia encerrar aquela conversa. É que por mais que doa lembrar essas coisas e pensar que “tem dias que a gente olha pra si e se pergunta se é mesmo aí que a gente achou que ia ser quando a gente crescer”, também é muito prazeroso. Cheguei a ir embora e voltar pra perguntar se ele lembrava de uma outra Fulana...
Aquela 5ª série. Um dos melhores anos da minha vida, com toda certeza. Tantas angústias. Me achava meio feia, tinha medo de ficar muito baixinha – como de fato fiquei. Havia coisas que me incomodam e pensava que o problema de fato era comigo, não com os estereótipos impostos a uma adolescente. Quantas vezes, já agora, uma “adulta” (será mesmo? Será isso, então, a fase adulta? Sutil e “um tapa na cara” ao mesmo tempo... estranho) pensei que daria muita coisa pra acordar e estar de novo na pele da garota de 11 anos. Nerd, "graduada", nenhum "CAD". Cheia de planos. Depois lembrei que havia dias – muitos! – em que não queria me levantar pra ir à escola, não queria fazer nada. Como a gente idealiza o passado!
Texto dedicado a duas grandes amigas que o tempo afastou – fisicamente -, mas permanecem sempre comigo, parte dessas lembranças, mas ainda algo pr’além dessas memórias. Andressa, lembro da carta que escrevi no teu aniversario de 14 anos – eu dizia que queria envelhecer e freqüentar a tua casa, chegar por lá na hora do café e conversar longamente. Paula, tu também tem um canto en mon coeur, cherrie!
Quando a amizade é grande, continua a crescer mesmo à distância. É mais ou menos assim, Shakespeare? É o que sinto.
22 de fevereiro. Caralho! Ontem foi aniversário do Ruan e eu nem lembrei! Putz
Sobrevivi!
Voltei de Belém há dez dias. O F$M foi uma merda, pior do que ja era esperado. Desde que voltei estou muito ocupada e sem animo para escrever. Enfim, postando aqui só para dar sinal de vida...
Outro dia volto!
Outro dia volto!
Fórum Social Mundial 2009, em Belém do Pará
Ouvindo a trilha sonora mais que perfeita do filme sul-coreano Old Boy. Destaque para a música de Vivaldi, “winter”, em F menor: é toda a volúpia em viver, não no sentido meramente sexual, mas no sentido da vontade persistente, apesar de todas as barreiras. Calafrios me percorrem o corpo ao ouvi-la. Além dessa, toda as outras músicas são bastante fortes e belas, fazendo surgir sentimentos como o ódio e a vingança, grandes temas do filme.
Mas vamos ao que interessa: amanhã parto para Belém, no Pará, a fim de participar do Fórum Social Mundial 2009. Mesmo pensando o Fórum como uma tentativa bem sucedida de fazer os movimentos baseados na autonomia e ação direta se sentarem para conversar – assim como fazem os capistalistas de Davos; esse povo não entende que temos de mudar nas estruturas, e não apenas nos conteúdos! - e apenas conversar agora, não fazer mais nada, tenho bastante vontade de conhecer o espaço. Sei que ainda há militantes libertários participando do Fórum, daí a ansiedade em chegar logo lá e encontrar a galera, trocar idéias e ver como a gente pode agir nesse ano de 2009, sempre de forma direta, autônoma e anti-capitalista.
Devo chegar por lá às 8 horas de segunda. Vou levar um caderno todo em branco que dedicarei às minhas observações, sensações e contatos novos. Tentarei atualizar o blog de lá, fazendo uma espécie de “cobertura”, mas confesso que acho difícil, pois o evento é composto de um infinito de atividades das quais quero participar.
Bem, é isso! Hasta la volta! E deixo aqui um bom texto – embora de escrita um tanto truncada - sobre o processo de cooptação das lutas autônomas pelo FSM, em parceria com o Estado e o Mercado.
Mas vamos ao que interessa: amanhã parto para Belém, no Pará, a fim de participar do Fórum Social Mundial 2009. Mesmo pensando o Fórum como uma tentativa bem sucedida de fazer os movimentos baseados na autonomia e ação direta se sentarem para conversar – assim como fazem os capistalistas de Davos; esse povo não entende que temos de mudar nas estruturas, e não apenas nos conteúdos! - e apenas conversar agora, não fazer mais nada, tenho bastante vontade de conhecer o espaço. Sei que ainda há militantes libertários participando do Fórum, daí a ansiedade em chegar logo lá e encontrar a galera, trocar idéias e ver como a gente pode agir nesse ano de 2009, sempre de forma direta, autônoma e anti-capitalista.
Devo chegar por lá às 8 horas de segunda. Vou levar um caderno todo em branco que dedicarei às minhas observações, sensações e contatos novos. Tentarei atualizar o blog de lá, fazendo uma espécie de “cobertura”, mas confesso que acho difícil, pois o evento é composto de um infinito de atividades das quais quero participar.
Bem, é isso! Hasta la volta! E deixo aqui um bom texto – embora de escrita um tanto truncada - sobre o processo de cooptação das lutas autônomas pelo FSM, em parceria com o Estado e o Mercado.
Êta Dortelho que eu não esqueço!
Meu amor...
Não acredito que você foi embora! Deve ser porque de fato não foi, né? Deve ser porque está presente em mim da maneira mais profunda: na minha construção como ser humano. Está nas minhas escolhas, nos meus sonhos, nas lembranças que me enchem os olhos de lágrimas...
Saudade dói muito! Há seis meses...
Segue uma música que me lembra esta criatura especial.
Não acredito que você foi embora! Deve ser porque de fato não foi, né? Deve ser porque está presente em mim da maneira mais profunda: na minha construção como ser humano. Está nas minhas escolhas, nos meus sonhos, nas lembranças que me enchem os olhos de lágrimas...
Saudade dói muito! Há seis meses...
Segue uma música que me lembra esta criatura especial.
Amado
Como pode ser gostar de alguém
E esse tal alguém não ser seu
Fico desejando nós gastando o mar
Pôr-do-sol, postal, mais ninguém
Peço tanto a Deus
Para lhe esquecer
Mas só de pedir me lembro
Minha linda flor
Meu jasmim será
Meus melhores beijos serão seus
Sinto que você é ligado a mim
Sempre que estou indo, volto atrás
Estou entregue a ponto de estar sempre só
Esperando um sim ou nunca mais
É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Sinto absoluto o dom de existir,
Não há solidão, nem pena
Nessa doação, milagres do amor
Sinto uma extensão divina
É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Quero dançar com você
Dançar com você
Quero dançar com você
Dançar com você
E esse tal alguém não ser seu
Fico desejando nós gastando o mar
Pôr-do-sol, postal, mais ninguém
Peço tanto a Deus
Para lhe esquecer
Mas só de pedir me lembro
Minha linda flor
Meu jasmim será
Meus melhores beijos serão seus
Sinto que você é ligado a mim
Sempre que estou indo, volto atrás
Estou entregue a ponto de estar sempre só
Esperando um sim ou nunca mais
É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Sinto absoluto o dom de existir,
Não há solidão, nem pena
Nessa doação, milagres do amor
Sinto uma extensão divina
É tanta graça lá fora passa
O tempo sem você
Mas pode sim
Ser sim amado e tudo acontecer
Quero dançar com você
Dançar com você
Quero dançar com você
Dançar com você
Manifesto: Fêmeas-Irmãs e Amigas!


Tenho pensado bastante, há anos, sobre a questão das mulheres, que, para mim, não pode estar apartada das questões mais gerais da sociedade capitalista e tampouco ser considerada como uma questão que diz respeito exclusivamente a nós, mulheres - sim, penso que o machismo, o sistema patriarcal, oprimem os homens também.
Há quase dois meses tive uma experiência bastante enriquecedora que não me sai da cabeça: uma oficina de wendo - técnica de auto-defesa para mulheres. Acontece que a oficina não é meramente um repasse de técnicas, mas toda uma discussão acerca da necessidade de adotarmos posturas outras com relação ao mundo machista em que estamos inseridas. E uma das discussões travadas foi justamente sobre a forma como nós, mulheres, nos relacionamos umas com as outras - ou não nos relacionamos. Há uma idéia bem senso comum, mas que talvez tenha lá seu quinhão de verdade, que diz que as mulheres não conseguem ser amigas, são falsas entre si e só sabem competir. O que sei, realmente, é que precisamos ser mais amigas, mais solidárias, e entender - principalmente as mulheres que já atuam em movimentos sociais ou organizações políticas - que a nossa luta deve ser travada agora, com urgência, e que ela não é menos importante que a luta de classes e tampouco vai prescindir de sua necessidade "automaticamente" tão logo uma revolução social triunfe.
Há outras questões a serem levantadas, mas agora gostaria de reproduzir aqui o Manifesto: Fêmeas-Irmãs e Amigas!, que achei bem interessante, apesar de discordar, vez por outra, do tom usado na abordagem da problemática de gênero. Por sinal, uma coincidência bem feliz: estava ontem iniciando a leitura de O Segundo Sexo, de Simone de Beauvoir, onde ela fala exatamente da necessidade de mais solidariedade entre as mulheres.
Bem, é isso! Boa leitura!
Manifesto: Fêmeas-Irmãs e Amigas!
- As mulheres serão amigas, fraternas, solidárias e sinceras.
-Exercitarão a cada minuto a capacidade de doar amizade fraterna.
-Decidirão por dizer não às rixas, buscando nas outras a si mesma.
-As mulheres a partir de hoje devem e podem mostrar seus rostos sem temores ao que dirão.
-Liberdade, igualdade, fraternidade, e caso não goste de alguém vire as costas e vá embora, em paz consigo e com as outras.
-Siga em frente sem esquecer tudo de bom que alguém já a fez sentir, e esqueça ou guarde no baú o ruim.
-Toda mulher irá encarar as outras como parte imprescindível de uma irmandade!
-Mesmo à distância, todas estão unidas.
-E distâncias serão transpostas pelas vias expressas da lealdade.
-Nenhuma mulher deitará com dúvidas; ela colocará sua cabeça no travesseiro sempre após ter em si a certeza da verdade nas demais!
-E da sua verdade.
-Não às cisões sexistas cultivadas pelos dogmas de lutas patriarcais.
-Há que se ter dentro da mulher esperança de dias melhores, de seus dias melhores, e de dias melhores para o planeta.
-Não ao medo de se contar, de se mostrar.
-Porque o amor feminino é o que nutre e se nutre não pode destruir.
-Portas abertas à partilha dos medos, das dúvidas, das indecisões que são minhas, tuas, delas...
-Toda mulher é filha de uma deusa e todas as deusas são irmãs.
-Sim às falas simples, aos ouvidos argutos que desejam acalentar, incentivar e promover tua cura, nossa cura.
-Que a acolhida ao ventre Dela seja irrestrita, na igualdade de errar, de retroceder, de mutar e aceitar a si mesmas e às demais.
-Não ao cansaço, a desistência, ao desespero e desesperança.
-Não ao não absoluto, que te impede de voltar atrás e te aproximar.
-Portas e janelas abertas ao que de ti difere, por que te completa.
-Invocamos as deusas da HARMONIA que permitem criar o fértil e acolhida a quem desarmado está.
-Que seja a ordem do dia pensar o melhor para cada um que traspassa nosso caminho, sejam os que forem.
-E se não ficarem, deixe ir em paz, sem rancores.
-Decidido está que toda mulher pode e deve ser cálida, amorosa, sincera, leve, e facilitadora dos encontros.
-Boa ouvinte, conselheira, e que saiba calar sem machucar ou desprezar.
-Que toda mulher seja capaz de gerar energia suficiente para fazer nascer em seus jardins e nos alheios a vontade de somar.
-Fica assim decidido que toda mulher terá livre acesso a este manifesto e dele desde já faz parte!
- Por que todas somos Ela, e todas somos UNA.
- E que assim seja!!!
Autoria: Iony Ming e Luciana Onofre
20 de janeiro de 2009
- As mulheres serão amigas, fraternas, solidárias e sinceras.
-Exercitarão a cada minuto a capacidade de doar amizade fraterna.
-Decidirão por dizer não às rixas, buscando nas outras a si mesma.
-As mulheres a partir de hoje devem e podem mostrar seus rostos sem temores ao que dirão.
-Liberdade, igualdade, fraternidade, e caso não goste de alguém vire as costas e vá embora, em paz consigo e com as outras.
-Siga em frente sem esquecer tudo de bom que alguém já a fez sentir, e esqueça ou guarde no baú o ruim.
-Toda mulher irá encarar as outras como parte imprescindível de uma irmandade!
-Mesmo à distância, todas estão unidas.
-E distâncias serão transpostas pelas vias expressas da lealdade.
-Nenhuma mulher deitará com dúvidas; ela colocará sua cabeça no travesseiro sempre após ter em si a certeza da verdade nas demais!
-E da sua verdade.
-Não às cisões sexistas cultivadas pelos dogmas de lutas patriarcais.
-Há que se ter dentro da mulher esperança de dias melhores, de seus dias melhores, e de dias melhores para o planeta.
-Não ao medo de se contar, de se mostrar.
-Porque o amor feminino é o que nutre e se nutre não pode destruir.
-Portas abertas à partilha dos medos, das dúvidas, das indecisões que são minhas, tuas, delas...
-Toda mulher é filha de uma deusa e todas as deusas são irmãs.
-Sim às falas simples, aos ouvidos argutos que desejam acalentar, incentivar e promover tua cura, nossa cura.
-Que a acolhida ao ventre Dela seja irrestrita, na igualdade de errar, de retroceder, de mutar e aceitar a si mesmas e às demais.
-Não ao cansaço, a desistência, ao desespero e desesperança.
-Não ao não absoluto, que te impede de voltar atrás e te aproximar.
-Portas e janelas abertas ao que de ti difere, por que te completa.
-Invocamos as deusas da HARMONIA que permitem criar o fértil e acolhida a quem desarmado está.
-Que seja a ordem do dia pensar o melhor para cada um que traspassa nosso caminho, sejam os que forem.
-E se não ficarem, deixe ir em paz, sem rancores.
-Decidido está que toda mulher pode e deve ser cálida, amorosa, sincera, leve, e facilitadora dos encontros.
-Boa ouvinte, conselheira, e que saiba calar sem machucar ou desprezar.
-Que toda mulher seja capaz de gerar energia suficiente para fazer nascer em seus jardins e nos alheios a vontade de somar.
-Fica assim decidido que toda mulher terá livre acesso a este manifesto e dele desde já faz parte!
- Por que todas somos Ela, e todas somos UNA.
- E que assim seja!!!
Autoria: Iony Ming e Luciana Onofre
20 de janeiro de 2009
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